Escolaridade Baixa Predomina entre Envolvidos com Tráfico no Brasil
Um estudo recente revelou que a maioria das pessoas envolvidas com o tráfico de drogas no Brasil não concluiu o ensino médio. De acordo com a pesquisa, que entrevistou quase 4 mil indivíduos ligados ao comércio ilegal de entorpecentes, apenas dois em cada dez completaram o ensino médio. Mais da metade dos entrevistados interromperam seus estudos antes de chegar a essa etapa.
A baixa escolaridade é um dos aspectos mais notáveis da pesquisa, conduzida pelo Instituto Data Favela e pela Central Única das Favelas (Cufa). Os dados foram coletados entre agosto e setembro, por meio de entrevistas presenciais em favelas de 23 estados brasileiros, envolvendo 3.954 participantes.
Os resultados detalham o nível de escolaridade dos entrevistados: 22% concluíram o ensino médio, 16% o deixaram incompleto, 13% terminaram o ensino fundamental, 35% não o completaram e 7% não possuem instrução formal.
Questionados sobre o que fariam de diferente em suas vidas, 41% dos entrevistados expressaram o desejo de ter estudado mais ou se formado. Essa resposta ressalta o reconhecimento da educação como um possível fator de mudança em suas trajetórias.
Entre os cursos de nível superior de maior interesse, Direito se destacou com 18% das escolhas, seguido por Administração (13%), Medicina/Enfermagem (11%) e Engenharia/Arquitetura (11%).
A pesquisa indica que a falta de acesso à educação e a oportunidades de trabalho de qualidade contribuem para que a maioria dos envolvidos com o tráfico não consiga obter uma renda superior a dois salários mínimos mensais.
O estudo também abordou a estrutura familiar dos entrevistados, revelando que 35% foram criados em famílias tradicionais e 38% em famílias monoparentais, sendo a maioria liderada por mães. As figuras femininas, como mães, tias e avós, foram apontadas como as pessoas mais importantes na vida dos participantes.
Quanto aos sonhos de consumo, 28% almejam ter uma casa própria, enquanto 25% desejam comprar uma casa para a família, evidenciando a importância da segurança patrimonial. A pesquisa também identificou problemas de saúde mental frequentes entre os entrevistados, como insônia (39%), ansiedade (33%) e depressão (19%).
A pesquisa destaca ainda que 68% dos entrevistados não sentem orgulho do que fazem, refutando a ideia de que a entrada no crime seja uma escolha consciente. Pobreza, desigualdade e corrupção foram apontados como os principais problemas do Brasil.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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