Alimentação Escolar Brasileira: Modelo para o Mundo, Apesar dos Desafios
O Brasil se destaca globalmente na implementação de políticas de alimentação escolar, conforme apontam especialistas. Apesar de uma certa modéstia interna, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) é reconhecido internacionalmente como um dos maiores e mais eficazes projetos do gênero.
Um marco importante para o programa foi a lei de 2009, que redefiniu os padrões da alimentação nas escolas, substituindo alimentos processados por refeições completas e nutritivas. Essa mudança impactou positivamente a vida de muitos estudantes, como os mais de 400 alunos da Escola Johnson, em Fortaleza, que recebem três refeições diárias elaboradas por uma equipe liderada por Fernando Luiz Venâncio.
O cardápio, supervisionado por nutricionistas, inclui pratos como baião de dois, carne picadinha e creme de galinha, este último feito sem ingredientes como creme de leite, visando atender a todos os estudantes, incluindo aqueles com restrições alimentares. A lei de 2009 exige a presença de nutricionistas nas escolas, cardápios que atendam às necessidades nutricionais e a priorização de alimentos da agricultura familiar, com um mínimo de 30% de produtos dessa origem.
A agricultura familiar desempenha um papel crucial no PNAE. Agricultores como Marli Oliveira, do Ceará, destinam parte de sua produção para a alimentação escolar, garantindo renda e impulsionando a economia local. Um estudo revelou que cada R$ 1 investido no setor gera um crescimento de R$ 1,52 no Produto Interno Bruto (PIB) da agricultura e R$ 1,66 na pecuária.
Em setembro, o Brasil sediou a 2ª Cúpula da Coalizão Global pela Alimentação Escolar, reunindo representantes de diversos países para discutir e fortalecer programas de alimentação escolar em todo o mundo. A ministra da Educação de São Tomé e Príncipe destacou a cooperação com o Brasil, incluindo a formação de nutricionistas e o apoio na elaboração de refeições escolares com alimentos locais.
Atualmente, o PNAE atende 40 milhões de estudantes no Brasil, desde a creche até a Educação de Jovens e Adultos (EJA). O programa contribuiu para a saída do Brasil do Mapa da Fome da ONU, garantindo que muitos alunos tenham na escola a principal refeição do dia.
Apesar dos avanços, o PNAE enfrenta desafios. O orçamento do programa, embora significativo, ainda é limitado, e os valores de repasse por estudante variam conforme a etapa de ensino. Além disso, muitos municípios não complementam o repasse federal com recursos próprios. Nutricionistas também relatam dificuldades no cumprimento das exigências nutricionais devido à falta de estrutura, resistência de alguns setores e orçamento limitado.
Para Albaneide Peixinho, presidente da Associação Brasileira de Nutrição, a alimentação escolar deve ser vista como um programa pedagógico de promoção à saúde, visando a formação de hábitos saudáveis e a melhoria do ensino-aprendizagem.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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