Escolas Públicas Sofrem com Falta de Esgoto e Infraestrutura Básica, Aponta Anuário

Menos da metade das escolas públicas brasileiras possui ligação com a rede de esgoto, revelando uma desigualdade na infraestrutura básica oferecida em diferentes regiões do país. O dado alarmante consta no Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025, estudo que também aponta disparidades no acesso a água potável, energia elétrica, coleta de lixo, banheiros e cozinhas nas unidades escolares.

O levantamento, em sua 12ª edição, mostra que, apesar de 95% das escolas públicas contarem com o mínimo de infraestrutura, a conexão à rede de esgoto ainda é uma carência significativa, afetando 51,8% das unidades. A coleta de lixo também se mostra deficitária, atingindo mais de 20% das escolas.

A análise por região explicita as disparidades: apenas 9,3% das escolas públicas do Norte e 30,8% do Nordeste estão conectadas à rede de esgoto. Em contrapartida, no Sudeste esse índice atinge 84,7%, no Sul 56,9% e no Centro-Oeste 47,8%. A coleta de lixo também apresenta um contraste gritante, com mais da metade das escolas do Norte (54%) sem o serviço, enquanto quase todas as escolas do Sul (97,2%) contam com ele.

A ausência de infraestrutura básica impacta diretamente as condições de aprendizagem dos estudantes. A falta de saneamento, água potável e outros serviços essenciais compromete a dignidade e o bem-estar dos alunos, afetando seu desempenho escolar.

O anuário também revela desigualdades na distribuição de equipamentos voltados ao ensino. Bibliotecas e salas de leitura são mais comuns em escolas que oferecem os anos finais do ensino fundamental e o ensino médio do que nas que atendem aos anos iniciais. Laboratórios de informática e ciências também apresentam distribuição desigual, com menor presença nas escolas de ensino fundamental e em regiões como o Norte.

Na educação infantil, apenas 41% das escolas públicas possuem parque e 35,3% contam com área verde. O material pedagógico infantil está presente em 69,6% das escolas. As disparidades regionais são evidentes, com o Norte apresentando os menores percentuais de escolas com esses recursos e o Sul, os maiores.

Apesar de 95,4% das escolas públicas terem acesso à internet, somente 44,5% possuem conexão adequada para uso pedagógico em sala de aula, limitando o uso efetivo nos processos de ensino e aprendizagem.

Os dados do anuário apontam que o país ainda tem um longo caminho a percorrer para garantir uma educação pública de qualidade e com equidade. Apenas uma pequena parcela dos alunos da 3ª série do ensino médio público apresenta aprendizagem adequada em matemática e língua portuguesa, evidenciando a necessidade de investimentos e políticas públicas eficazes para superar as desigualdades regionais, socioeconômicas e raciais existentes no país.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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