Especialistas Alertam para Necessidades Específicas da Pele Negra na Dermatologia
A experiência do médico Thales de Oliveira Rios ilustra uma lacuna importante na dermatologia: a falta de atenção às particularidades da pele negra. Lutando contra oleosidade e acne desde a adolescência, ele relata que somente obteve resultados satisfatórios ao receber tratamento direcionado para seu tipo de pele, com produtos adequados para clareamento e proteção solar.
O especialista Cauê Cedar, chefe do Ambulatório de Pele Negra de um hospital universitário, ressalta que a maioria dos materiais educativos para médicos utilizam predominantemente imagens de pessoas de pele clara, o que dificulta o diagnóstico e tratamento adequados para pacientes negros e pardos, que representam a maioria da população brasileira.
Cedar aponta que a pele negra possui características específicas, como maior tendência a manchas, cicatrização hipertrófica (queloide) e necessidades distintas nos cuidados com cabelos crespos e cacheados. Ele destaca que, durante sua residência médica, não recebeu treinamento específico sobre essas questões, necessitando buscar conhecimento por conta própria.
A indústria de cosméticos também foi criticada por demorar a atender às necessidades da pele negra. Por muito tempo, protetores solares com cor não se adequavam aos tons de pele negra, e os protetores sem cor deixavam um aspecto esbranquiçado ou acinzentado, diminuindo a adesão ao uso.
Recentemente, houve avanços na área. Pela primeira vez, o Congresso da Sociedade Brasileira de Dermatologia realizou uma atividade exclusiva sobre cuidados com a pele negra. Além disso, a regional do Rio de Janeiro da Sociedade Brasileira de Dermatologia criou um Departamento de Pele Étnica. Segundo a presidente da regional, Regina Schechtman, o departamento visa melhorar o conhecimento dos profissionais e o atendimento a diversos grupos não-brancos, como indígenas, orientais e negros. Ela enfatiza a importância de que médicos e profissionais de saúde incorporem esse conhecimento à sua prática, citando a dermatoscopia como exemplo de exame que apresenta variações conforme o tom de pele. Schechtman também alerta que problemas de pele, incluindo o câncer, podem afetar a população negra, reforçando a necessidade de proteção contra a radiação ultravioleta.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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